Educación Física, Ciencia e Investigación

Educação Física nas Bases Curriculares brasileira e chilena: análise comparada

  • Rafael Almeida Barcelos, PPGEF/UFES
  • Felipe Quintão de Almeida, PPGEF/UFES
  • Alberto Doña Moreno, Universidad de Valparaíso
Resumen

O texto é uma síntese da dissertação de mestrado intitulada “Educação Física escolar: uma análise comparada nas Bases Curriculares do Brasil e do Chile” (BARCELOS, 2022). Orientada pela pesquisa qualitativa documental, o estudo colocou em análise a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) brasileira com as Bases Nacionais Curriculares (BNC, 2015, 2018, 2019) do Chile. Nesse sentido foram selecionadas as legislações específicas que regem a educação dos dois países, os conceitos, os princípios, os propósitos, as ênfase, as abordagens, os conteúdos, as habilidades, as competências. Os resultados apontaram semelhanças nas legislações específicas que regem o sistema educacional, influenciadas pelo mesmo contexto sócio-político-econômico no período das suas criações. Os resultados ainda demonstraram similaridades na organização da estrutura dos Sistemas Educacionais (Educação Infantil-Parvulária, Educação Básica e Média) e na distribuição das disciplinas por áreas de conhecimentos. Com relação à Educação Física, no Brasil a disciplina está voltada para o lazer/entretenimento, cuidado com o corpo e a saúde, tendo como objeto de ensino as práticas corporais ministrada de forma lúdica e contextualizada sob uma perspectiva sociocultural (BNCC, 2018). Já no Chile a Educação Física está voltada para prevenção das doenças crônicas não transmissíveis causadas pelo sedentarismo (SOTO-LAGOS, 2018), tendo como o objeto de ensino nas escolas o condicionamento físico e os esportes com foco nas habilidades motoras, na vida ativa e saudável, na segurança, no jogo limpo e na liderança sob uma perspectiva biomédica, sanitarista, tecnocrática e reprodutivista.
As Bases Nacionais Curriculares e a Educação Física apresentaram também semelhanças nas críticas em diálogo com as outras literaturas da área. Segundo Uczak (2014), os dois documentos são controlados e monitorados por avaliações internas e externas. Assaél at al. (2015) dizem que eles possuem forte influência e recomendações do BM, FMI, BID, OMC entre outros Órgãos Internacionais. No que diz respeito à Educação Física, Santos et al. (2020) relatam que ela sempre serviu para os projetos políticos do Estado e, por consequência, a serviço dos grupos dominantes, respaldados políticas públicas e reproduzindo uma hegemonia.