Educación Física y Enseñanza

O CORPO SENTE E PRODUZ SENTIDOS NA APRENDIZAGEM DA DOCÊNCIA

  • Silva, Mauro Sérgio da, Instituto Federal do Espírito Santo/Universidade Federal do Espírito Santo, mauroserdasilva@gmail.com
  • Almeida, Felipe Quintão, Universidade Federal do Espírito Santo, fqalmeida@hotmail.com
  • Álvarez, Lucio Martínez, Universidad de Valladolid, lucio.martinez@uva.es
Resumen

Esse trabalho é um recorte da pesquisa de doutorado intitulada - Afeto e corpo na docência em Educação Física, desenvolvida em Vitória-ES, Brasil. Cujo objetivo é investigar sobre os impactos das experiências iniciais como professor/a de Educação Física nas escolas e o que o corpo sente enquanto vive a docência, com o intuito de ampliar o olhar sobre a dimensão corporal da atuação docente, suas marcas, bem como a relação da construção dos saberes experienciais, as emoções vividas e sentimentos construídos. A pesquisa tem um viés qualitativo e os dados aqui apresentados foram coletados a partir de observação participante em reunião de formação realizada com os professores-residentes. Para refletir sobre o que sentiram os professores-residentes após os contatos iniciais com as escolas-campo e com seus respectivos professores, partimos dos escritos de Felicio, (2014), Fensterseifer (2012), González-Calvo, Varea e Martínez-Álvarez (2017; 2020), Martínez-Álvarez, González-Calvo (2016), Pañagua Martín-Alonso y Blanco (2019). A intenção inicial foi exercitar a escrita reflexiva, fazendo o esforço de olhar para si na relação com a escola e com os parceiros de interação. Compreendemos que a partir de uma escrita reflexiva, pode-se potencializar reflexões sobre os corpos durante as vivências e as marcas que ficam para a vida dos futuros docentes. De acordo com Pañagua, Martín-Alonso e Blanco (2019, p. 15), “La escritura constituye un medio fundamental para dar forma al pensamiento, para reconstruir lo vivido y comunicar algo de su cualidad”. A escrita reflexiva pode favorecer uma visão mais ampliada das formas de incorporação do vivido, da construção dos sentidos e da identidade docente. Os contatos iniciais dos professores-residentes com as escolas-campo engendraram uma miríade de sensações: apreensão; ansiedade; sensação de ser julgado o tempo todo; frustração com o percebido na escola; insegurança por estar na condição de novato; animação com o ambiente; sensação de estar minúsculo no espaço-tempo; deslumbramento com os espaços; intimidação ao ver o tamanho dos estudantes; medo – “agora você vai ter que assumir. Vai ser você, com você mesmo” –; triste em função do desinteresse e desrespeito dos estudantes pelas propostas apresentadas pelo professor; feliz por ser professora de Educação Física; curioso com o que estaria por vir; preocupados. Ao observar os relatos percebemos que estão conseguindo fazer leituras e apropriações dos trabalhos dos professores e da escola, ao mesmo tempo em que percebem sua condição corporal ao refletir sobre o vivido. Os primeiros contatos interpessoais durante a vivência da docência na escola impactaram de forma significativa os estudantes, em função do caráter de novidade que possui. Isto chama atenção para a necessidade de pensar a atuação docente a partir daquele que sente e é sentido nos espaços-tempos da aula. A experiência docente durante a formação inicial tem apresentado elementos importantes para a construção de sentidos sobre a docência na Educação Física, permitindo que os estudantes possam corporalmente viver sensações e construir sentimentos que auxiliem na construção de seus saberes e suas identidades ao atribuir sentidos e significados próprios a atuação docente.
Palavras chave: Aprendizagem da docência; Educação Física Escolar; Corpo